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Objeto direto ou indireto: 8 frases resolvidas para não errar

Como distinguir objeto direto de objeto indireto sem decorar: transitividade do verbo, prova do pronome oblíquo e 8 frases resolvidas, incluindo objeto direto preposicionado e verbos bitransitivos.

Você sabe a definição de cabeça: o objeto direto completa o verbo sem preposição, o indireto completa com preposição. Aí aparece na prova “Os alunos assistiram ao filme” e você marca objeto direto, porque filme parece “o que foi visto”. Errou. A confusão entre os dois é uma das mais frequentes no ensino médio e cai todo ano em questões de ENEM e vestibular. A boa notícia: existe um método que não depende de decoreba.

A chave é o verbo, não o complemento

O objeto não se classifica sozinho, quem decide é a transitividade do verbo. Antes de olhar para o complemento, pergunte: esse verbo pede preposição para ligar-se ao que vem depois? Se você quer revisar a base, veja verbos transitivos e intransitivos.

Se o verbo pede…Ele é…O complemento é…
Complemento sem preposição obrigatóriaTransitivo diretoObjeto direto
Complemento com preposição obrigatóriaTransitivo indiretoObjeto indireto
Os dois ao mesmo tempoBitransitivoUm direto e um indireto

A prova de substituição pelos pronomes

Troque o complemento por um pronome oblíquo átono. Se couber o, a, os, as, é objeto direto. Se couber lhe ou lhes, é objeto indireto.

  • Comprei o caderno, vira comprei-o. Direto.
  • Obedeço aos pais, vira obedeço-lhes. Indireto.

Essa prova funciona melhor com complementos que se referem a pessoas. Com coisas, o indireto costuma pedir pronome tônico: Gosto de chocolate vira gosto dele. Nesse caso, a preposição que reaparece no pronome já entrega a resposta.

8 frases resolvidas

1. Ana comprou um caderno novo um caderno novo. Comprar é transitivo direto: ninguém “compra de” ou “compra a” algo nesse sentido. Teste: “Ana comprou-o”. Objeto direto.

2. Ana obedece aos pais aos pais. Obedecer exige a preposição a. Teste: “Ana obedece-lhes”. Objeto indireto.

3. Entreguei o convite à Júlia o convite e à Júlia. Aqui o verbo é bitransitivo: o convite é objeto direto (“entreguei-o”) e à Júlia é objeto indireto (“entreguei-lhe o convite”). Uma só oração pode ter os dois objetos.

4. Os alunos assistiram ao filme ao filme. No sentido de “ver”, assistir pede a preposição a, portanto é transitivo indireto. Como o complemento é uma coisa, o pronome fica tônico: “assistiram a ele”. Objeto indireto, e é exatamente a armadilha que a prova explora.

5. Gosto de chocolate amargo de chocolate amargo. Gostar exige de. Teste: “gosto dele”. Objeto indireto. Cuidado para não confundir com complemento nominal, que completa um nome e não um verbo.

6. Os fiéis amam a Deus a Deus. Aqui está um dos casos difíceis: amar é transitivo direto, mas o complemento vem com preposição. É o objeto direto preposicionado, que aparece diante de nomes de pessoas ou de seres divinos, de pronomes e em construções de ênfase. A prova confirma: “os fiéis amam-no”. O pronome é o, logo é direto.

7. O aluno pediu ao professor uma nova data uma nova data e ao professor. Pedir, nesse uso, é bitransitivo. O que se pede (uma nova data) é objeto direto, a quem se pede (ao professor) é indireto. Teste: “pediu-lhe uma nova data”.

8. A secretária informou os pais da mudança os pais e da mudança. Informar alguém de algo: os pais é objeto direto (“informou-os”) e da mudança é objeto indireto, introduzido pela preposição de. Também funciona na ordem inversa: informou a mudança aos pais.

Casos que enganam

Verbos com dois regimes. Alguns verbos mudam de transitividade conforme o sentido. Assistir (ver) pede a, mas assistir (ajudar) é direto: O médico assistiu o paciente. Visar (apontar) e visar (ter como objetivo, com a) seguem a mesma lógica. Por isso, guarde: sentido primeiro, classificação depois.

Preposição que não é do verbo. Em Ela corre para o parque, a preposição introduz um adjunto adverbial de lugar, porque correr é intransitivo. A preposição só indica objeto indireto se o verbo a exigir.

O pronome se. Em Feriram-se, o se pode ser objeto direto (reflexivo). Em Escrevem-se cartas, é partícula apassivadora. Veja o pronome se antes de classificar.

Mais três para treinar

Classifique antes de ler a resposta:

  1. O professor perdoou o atraso ao aluno.
  2. Prefiro cinema a teatro.
  3. Eles namoram a vizinha.

Respostas: na 1, perdoar é bitransitivo: o atraso (a coisa) é objeto direto e ao aluno (a pessoa) é objeto indireto. Na 2, preferir também é bitransitivo: cinema é direto e a teatro é indireto, e a preposição aqui é obrigatória. Na 3, namorar é transitivo direto, apesar do que muita gente pensa: o certo é “namoram-na”, e a vizinha é objeto direto, sem nenhuma preposição de verdade (o a é só artigo).

Checklist para a prova

  1. Ache o verbo e pergunte se ele pede preposição.
  2. Substitua o complemento por o/a/os/as ou lhe/lhes.
  3. Se a oração tem dois complementos, procure o bitransitivo: quase sempre um é direto (a coisa) e outro indireto (a pessoa).
  4. Desconfie de preposição diante do complemento: pode ser objeto direto preposicionado.

Para ir além, leia a comparação completa em diferença entre objeto direto e indireto.

Treine e confira

Escreva dez frases suas com verbos como obedecer, preferir, perdoar, informar, namorar, classifique cada objeto à mão e justifique com o pronome. Depois cole as frases no analisador sintático com IA gratuito do MiSintaxis e compare. Onde houver diferença, volte à transitividade do verbo: quase sempre o erro mora ali.