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Análise sintática passo a passo: o método com exercícios resolvidos

O método completo de análise sintática em quatro passos: verbo, sujeito, predicado e complementos. Com 6 orações resolvidas, da mais simples à mais difícil, para você treinar antes da prova.

Você olha para a oração da prova, lê duas vezes e não sabe por onde começar. Marca o sujeito no chute, erra o predicado e perde a questão inteira. Isso acontece quando a análise vira adivinhação. A análise sintática funciona como uma receita: se você seguir sempre a mesma ordem, o resultado sai igual, seja numa oração curta do 7º ano ou num trecho do ENEM.

O método em 4 passos

Passo 1: ache o verbo. Ele é o centro da oração. Procure a palavra que muda com o tempo (ontem brinquei, hoje brinco, amanhã brincarei). Se há uma locução verbal, como “vai viajar” ou “tinha saído”, ela conta como um único núcleo.

Passo 2: encontre o sujeito com a prova da concordância. Pergunte “quem pratica ou sofre a ação?” e depois confirme: se você passar o possível sujeito para o singular ou o plural, o verbo precisa acompanhar. Se acompanhar, é o sujeito. Veja mais em sujeito.

Passo 3: classifique o predicado. Tudo o que não é sujeito (e não é vocativo) é predicado. O que decide o tipo é o núcleo:

Núcleo do predicadoTipoExemplo
Verbo significativoPredicado verbalO menino correu
Nome (predicativo) depois de verbo de ligaçãoPredicado nominalO menino estava cansado
Verbo e nome ao mesmo tempoPredicado verbo-nominalO menino chegou cansado

Passo 4: identifique os complementos. Pergunte ao verbo “o quê?” (objeto direto), “a quem?” ou “de quê?” (objeto indireto) e “onde, quando, como?” (adjunto adverbial). Por último, veja os termos que acompanham os substantivos.

6 orações resolvidas

1. As crianças brincam no parque As crianças. Verbo: brincam. Quem brinca? As crianças, e se você trocar por “a criança”, o verbo vira “brinca”: concordância confirmada. O predicado é “brincam no parque”, verbal, pois brincar é intransitivo. Aqui no parque é adjunto adverbial de lugar.

2. Marina é professora de História professora de História. O verbo ser é de ligação: ele não indica ação, só liga o sujeito (Marina) a uma característica. Por isso o predicado é nominal e o núcleo é o predicativo do sujeito.

3. Os alunos leram o livro na biblioteca o livro. Sujeito: Os alunos. O verbo ler pede algo que se lê, sem preposição, então o livro é objeto direto. Teste: “Os alunos o leram”. Predicado verbal, com na biblioteca como adjunto adverbial.

4. Ontem entregaram o prêmio ao vencedor ao vencedor. O verbo está na 3ª pessoa do plural, mas nenhum termo da oração concorda com ele e não dá para saber quem entregou. É sujeito indeterminado. O verbo entregar tem dois complementos: o prêmio é objeto direto e ao vencedor é objeto indireto (teste: “entregaram-lhe o prêmio”).

5. A janela foi quebrada pelo vento pelo vento. O verbo está na voz passiva (foi quebrada) e o sujeito é paciente: A janela. Quem pratica a ação aparece como agente da passiva, introduzido por por ou pelo. Na voz ativa seria “O vento quebrou a janela”.

6. Os jovens chegaram cansados da viagem cansados. O verbo chegar é significativo (indica ação), mas cansados informa também o estado do sujeito durante a chegada. Esse termo é predicativo do sujeito, e o predicado é verbo-nominal. Dica: se você tirar cansados, a oração continua completa; se for predicado nominal, não continua.

Aplicando tudo numa oração mais longa

Vamos juntar os quatro passos em uma única frase, daquelas que aparecem em vestibular: Ontem, a diretora da escola entregou aos formandos os certificados.

  1. Verbo: entregou. É o único verbo, então há uma só oração.
  2. Sujeito: quem entregou? A diretora da escola. Teste: “as diretoras entregaram”. O verbo mudou, logo é o sujeito. O núcleo é diretora e da escola o complementa.
  3. Predicado: tudo o que sobra (entregou aos formandos os certificados), mais o adjunto Ontem. O núcleo é um verbo significativo, então o predicado é verbal.
  4. Complementos: entregou o quê? Os certificados, objeto direto. Entregou a quem? Aos formandos, objeto indireto. Ontem é circunstância de tempo.

Repare que a ordem da frase não importa: o objeto indireto veio antes do direto e nada mudou. Quem manda é a relação com o verbo, não a posição.

Casos que travam a análise

  • Verbos de fenômeno da natureza e haver com sentido de existir formam oração sem sujeito: Choveu muito ontem, Há soluções simples. Não procure sujeito, ele não existe.
  • Sujeito oculto: em “Chegamos tarde”, o sujeito é nós, identificado pela terminação verbal. Não confunda com o indeterminado.
  • Sujeito depois do verbo: em “Chegaram as encomendas”, o sujeito é as encomendas. A prova da concordância continua valendo.

Erros que mais custam pontos

Começar pelo sujeito sem achar o verbo antes. Sem o verbo, você não sabe com quem concordar.

Chamar de sujeito o primeiro substantivo. Na frase “Ao vencedor entregaram o prêmio”, o primeiro termo é objeto indireto.

Confundir adjunto adverbial com objeto. Se o termo é circunstância (lugar, tempo, modo) e pode sumir sem estragar o sentido do verbo, é adjunto.

Agora é a sua vez

Analise as três orações abaixo antes de olhar as respostas.

  1. Os vizinhos pintaram o muro de azul.
  2. Precisam de voluntários para a campanha.
  3. A resposta parecia óbvia.

Respostas: na 1, o sujeito é os vizinhos, o predicado é verbal e o muro é objeto direto. Na 2, o sujeito é indeterminado (verbo na 3ª pessoa do plural, sem referente) e de voluntários é objeto indireto, pois precisar pede a preposição de. Na 3, parecer funciona como verbo de ligação, então o predicado é nominal e óbvia é o predicativo do sujeito.

Como treinar

Pegue dez orações do seu livro e aplique os quatro passos por escrito, sempre na mesma ordem. Em uma semana o método vira automático. Faça primeiro tudo à mão, no caderno, e só depois confira o resultado com o analisador sintático com IA gratuito do MiSintaxis. Se a máquina discordar de você, pare e descubra por quê: é aí que se aprende de verdade.